sexta-feira, 16 de maio de 2008

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Diante do infinito
Todos somos iguais
Não existe hoje
É sempre tarde demais

Espaços são fluidos
Deuses são universais
O tempo que anda pra frente
É o mesmo que corre pra trás

O motivo é indiferente
Nascimentos são fatais
O inverno é permanente
Sentimentos são impessoais

Diante do infinito
O tempo está perdido
Somente o acaso faz sentido

sábado, 29 de março de 2008

Tempo moderno

É cedo demais
Pra viver o presente
É preciso nadar
Pra ficar no mesmo lugar

É sempre eficaz
Agir rapidamente
É preciso passar
Sem se machucar

É tarde demais
Pra viver o presente
É impossível voltar
Pro mesmo lugar

quinta-feira, 20 de março de 2008

Nó(s)

Quantas músicas
Ainda vão nos marcar?
Quantos cheiros, lugares, pessoas
Gestos
Farão parte da gente?
Quantos planos
Quantas lembranças
Vamos compartilhar?

Éramos dois
Agora somos nós
Atados
Nunca mais estou sozinho
Sem você do meu lado

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Parto

Um arrepio tomou a espinha
Levou toda a saliva
Congelou ou sentidos

Senti-me sozinho
Acuado
Tropeçando em meus medos
Em triunfante queda livre

O óbvio já era inaceitável
O lógico, inconcebível

Vazio

Depois, o alívio
Agora livre como um vírus
Espontâneo como uma gargalhada

Rompi com a razão
Valores, instintos, hipocrisias
Tudo deixado de lado

O mundo sou eu
Livrei-me de mim

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Pedigree

Quero largar o batente
Ter cerveja corrente
Para degustar

Deixar compromissos de lado
Pendurar fiado
E nunca pagar

Perfume, um trato no pêlo
E uma sogra que nunca reclame
Levar a vida como poodle de madame

Bom mesmo é tirar um cochilo
Após bater um quilo
De bife, picanha ou filé

E pra completar a soneca
Uma loira sueca
Fazendo massagem no pé

Ter colo, sossego, chamego
De uma nega que muito me ame
Levar a vida como poodle de madame

E quando fugir da coleira
Ter uma amante que não me difame
Levar a vida como poodle de madame

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O()culto

Amor repele
Assombração
Senti nelas ardor
Sou fria

É comum ser tão vil?

Amor e pele
As sombras são sentinelas
Ar, dor
Sofria

É como um sertão, viu?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Onimpotência

Vim subverter a desordem
Ora oro, ora urro
Olhos arregalados na escuridão

Contra tudo e a favor de todos
Ora murro, ora uivo
Rouco num mundo sem alarde

De pouco todo louco tem o mundo
Trago a utopia como identidade
Ilusão é ver as coisas como são

Quando, da soberba, cai o pano
Nada, nada, nada é mais insano
Que a lucidez

Mais um dia

Rio estático no céu azul
Água que encobre o sol
Mar dobrando o horizonte
Apenas o ar quebra o silêncio

Vai a folha
Desce a tarde
Semeia o tempo
Deixa que o instante seja o bastante

Quando o vento afunila
Só resta o nó
E o peso

Basta olhar uma estrela
Ampla, imóvel, tão distante
Tudo parece pequenino
Tudo parece relevante